quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Falando sobre Vocação...

Diz o ditado: “Ninguém ama aquilo que não conhece”. Este se faz verdade cada vez que chega aos nossos ouvidos um assunto o qual não conhecemos ou quando nos chega de forma errada, superficial; um conceito não fiel acerca de uma coisa que existe bem perto de nós. Neste âmbito de preconceitos ou conceitos infiéis, se encontra hoje o tema da “Vocação”. Muitos ainda trazem uma idéia superficial acerca da “Vocação”, reduzindo esta a apenas padres e freiras. Neste sentido, quem não se interessa a ser nenhum destes, lança para fora de sua vida uma reflexão mais profunda acerca deste assunto – “vocare”: um chamado de Deus. Assim sendo, o objetivo deste artigo é trazer a você, querido leitor, um conceito mais profundo sobre o chamado que Deus faz pessoalmente à vida de todos os seres humanos.
Vocação é o chamado que Deus faz a cada pessoa, que tem como finalidade a realização plena de todo ser humano criado por ele, individualmente. É um chamado para fazer algo, para cumprir uma missão. É dom, é graça, é eleição cuidadosa feita pelo próprio Deus, visando a construção de Seu Reino. É um mistério envolvendo um convite especial que Deus faz a alguém.
Para facilitar um entendimento melhor e proporcionar uma maior adesão, cabe aqui uma breve explanação sobre este chamado que Deus faz a cada um de nós. Para isso, convém que o significado da vocação seja dividido em “vocação fundamental” e “vocação específica”. A primeira, ou seja, a “fundamental” diz respeito ao chamado que Deus nos faz à vida, a sermos seus filhos, a sermos cristãos e a sermos Igreja. Uma tomada de consciência de que todos, a partir do Batismo, somos irmãos e fazemos parte do Seu Reino.
Assim, dentro da “vocação fundamental” temos a “vocação humana” – um chamado a desenvolver todas as potencialidades humanas, ou seja, um chamado feito a todo ser humano a ser pessoa, a sentir-se gente, a entrar em comunhão com seus semelhantes, também criados por Deus com muito amor e zelo. Temos a “vocação cristã” que diz respeito àquele chamado a seguir Jesus Cristo através de um estilo de vida aberto à conversão no dia-a-dia. Aquele chamado íntimo feito pelo próprio Cristo no coração, a fim de que se assuma uma vida na santidade e na obediência. E, por fim, ainda temos dentro da “vocação fundamental” aquela que é denominada “vocação eclesial”, um chamado a ser Igreja, a viver uma experiência religiosa numa comunidade orante, partilhando a vida, os dons e talentos.
Após entendida a vocação fundamental com suas três dimensões, agora é hora de aprofundarmos naquilo que seja a maneira própria como cada um realiza sua vocação fundamental – é o que chamamos de “vocação específica”. As “vocações específicas” são três: vocação leiga, vocação religiosa e vocação presbiteral. A “vocação leiga” é aquela que pode ser respondida por homens e mulheres, estes solteiros, casados, viúvos e consagrados. Diz respeito àqueles fiéis que não são ministros ordenados. A “vocação religiosa” consiste na vida consagrada a partir dos votos de pobreza, obediência e castidade. Os religiosos são homens (ordenados padres ou não) e mulheres consagrados a Deus, que possuem uma identidade de serviço na Igreja enraizados num carisma, e obedientes a um fundador. Por exemplo, os franciscanos, as Irmãs do Sagrado Coração de Maria de Berlaar, os Irmãos Maristas, as Irmãs Missionárias Diocesanas, os Premonstratenses, entre outros. Por fim, temos a “vocação presbiteral”, que são aqueles chamados aos graus da Ordem, ou seja, os diáconos temporários ou permanentes – casados ou celibatários -, os padres e os bispos.
Disto podemos concluir que o sucesso da evangelização hoje está diretamente vinculada à realização de cada ser humano batizado quando este responde à sua vocação e abraça sua missão, assumindo-se como filho de Deus, membro do Corpo de Cristo e templo vivo do Espírito Santo. Em tudo isto está a riqueza de uma “Igreja Missionária a Serviço da Vida e da Esperança”, cada um respondendo ao seu chamado faz com que sejamos unidos na diversidade, um Povo de Deus que vive na comunhão e na participação, a exemplo do nosso Deus Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo.

                               Pe. Fernando José de Andrade
Coordenador do Serviço de Animação Vocacional Arquidiocesano (SAV)
Reitor do Seminário Propedêutico São Pio X
Vigário na Quase-Paróquia Nossa Senhora do Carmo

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