Diz o ditado: “Ninguém ama aquilo
que não conhece”. Este se faz verdade cada vez que chega aos
nossos ouvidos um assunto o qual não conhecemos ou quando nos chega
de forma errada, superficial; um conceito não fiel acerca de uma
coisa que existe bem perto de nós. Neste âmbito de preconceitos ou
conceitos infiéis, se encontra hoje o tema da “Vocação”.
Muitos ainda trazem uma idéia superficial acerca da “Vocação”,
reduzindo esta a apenas padres e freiras. Neste sentido, quem não se
interessa a ser nenhum destes, lança para fora de sua vida uma
reflexão mais profunda acerca deste assunto – “vocare”:
um chamado de Deus. Assim sendo, o
objetivo deste artigo é trazer a você, querido leitor, um conceito
mais profundo sobre o chamado que Deus faz pessoalmente à vida de
todos os seres humanos.
Vocação é o chamado que Deus faz
a cada pessoa, que tem como finalidade a realização plena de todo
ser humano criado por ele, individualmente. É um chamado para fazer
algo, para cumprir uma missão.
É dom, é graça, é
eleição cuidadosa feita pelo próprio Deus, visando a construção
de Seu Reino. É um mistério
envolvendo um convite especial que Deus faz a alguém.
Para facilitar um entendimento
melhor e proporcionar uma maior adesão, cabe aqui uma breve
explanação sobre este chamado que Deus faz a cada um de nós. Para
isso, convém que o significado da vocação seja dividido em
“vocação fundamental”
e “vocação
específica”. A
primeira, ou seja, a “fundamental” diz respeito ao chamado que
Deus nos faz à
vida, a sermos seus filhos, a sermos cristãos e a sermos Igreja. Uma
tomada de consciência de que todos, a partir do Batismo, somos
irmãos e fazemos parte do Seu Reino.
Assim, dentro
da “vocação fundamental” temos a “vocação
humana”
– um chamado a desenvolver todas as potencialidades humanas, ou
seja, um chamado feito a todo ser humano a ser pessoa, a sentir-se
gente, a entrar em comunhão com seus semelhantes, também criados
por Deus com muito amor e zelo. Temos a “vocação
cristã”
que diz respeito àquele chamado a seguir Jesus Cristo através de um
estilo de vida aberto à conversão no dia-a-dia. Aquele chamado
íntimo feito pelo próprio Cristo no coração, a fim de que se
assuma uma vida na santidade e na obediência. E, por fim, ainda
temos dentro da “vocação fundamental” aquela que é denominada
“vocação
eclesial”,
um chamado a ser Igreja, a viver uma experiência religiosa numa
comunidade orante, partilhando a vida, os dons e talentos.
Após
entendida a vocação fundamental com suas três dimensões, agora é
hora de aprofundarmos naquilo que seja a maneira própria como cada
um realiza sua vocação fundamental – é o que chamamos de
“vocação
específica”.
As “vocações específicas” são três: vocação leiga, vocação
religiosa e vocação presbiteral. A “vocação
leiga”
é aquela que pode ser respondida por homens e mulheres, estes
solteiros, casados, viúvos e consagrados. Diz respeito àqueles
fiéis que não são ministros ordenados. A “vocação
religiosa”
consiste na vida consagrada a partir dos votos de pobreza, obediência
e castidade. Os religiosos são homens (ordenados padres ou não) e
mulheres consagrados a Deus, que possuem uma identidade de serviço
na Igreja enraizados num carisma, e obedientes a um fundador. Por
exemplo, os franciscanos, as Irmãs do Sagrado Coração de Maria de
Berlaar, os Irmãos Maristas, as Irmãs Missionárias Diocesanas, os
Premonstratenses, entre outros. Por fim, temos a “vocação
presbiteral”,
que são aqueles chamados aos graus da Ordem, ou seja, os diáconos
temporários ou permanentes – casados ou celibatários -, os padres
e os bispos.
Disto podemos
concluir que o sucesso da evangelização hoje está diretamente
vinculada à realização de cada ser humano batizado quando este
responde à sua vocação e abraça sua missão, assumindo-se como
filho de Deus, membro do Corpo de Cristo e templo vivo do Espírito
Santo. Em tudo isto está a riqueza de uma “Igreja
Missionária a Serviço da Vida e da Esperança”,
cada um respondendo ao seu chamado faz com que sejamos unidos na
diversidade, um Povo de Deus que vive na comunhão e na participação,
a exemplo do nosso Deus Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo.
Pe. Fernando José de Andrade
Coordenador do Serviço de Animação
Vocacional Arquidiocesano (SAV)
Reitor do Seminário Propedêutico São Pio X
Vigário na Quase-Paróquia Nossa Senhora do Carmo

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