A
alegria sempre foi e sempre será um tema abordado por nós seres humanos quando
nos referirmos à nossa realização, à nossa felicidade. No entanto, em muitos
aspectos nos esquecemos do que nos ensina o filósofo Maurice Blondel - “o ser
humano é um mistério em movimento”. E, de fato, o somos, estamos inseridos na
realidade complexa dos três grandes mistérios da nossa fé – o mistério da
Santíssima Trindade, o mistério da Encarnação do Verbo e o mistério da
Santificação dos homens. Sendo assim, tudo também que se refere às questões
interiores de nós seres humanos, não pode estar fora de uma dimensão de
mistério. Falar superficialmente acerca do ser humano ou considerá-lo de forma
supérflua é, na verdade, desvalorizá-lo naquilo que ele é.
Neste
sentido, falamos da alegria. Esta para além das considerações imediatas. Disso
averiguamos que ela não é apenas euforia, diversão momentânea. Não é também uma
satisfação impulsionada pelos breves sucessos de nossos empreendimentos na
vida. Ela não pode estar contida essencialmente fora de nós, nas coisas ou nas
pessoas. Não vem de fora para dentro, mas o caminho é inverso, é de dentro para
fora.
A
alegria é de radical sobrenatural, espiritual. E isto podemos verificar nas Palavras
Reveladas: “(...) Sem
mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5). “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça e tudo mais vos será
acrescentado” (Mt 6, 33);
“Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como
o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha” (Mt 7,24).
Nisto consiste a nossa
alegria: conhecer Jesus Cristo, descobrir n’Ele nossa raiz, aquilo que nos
sustenta e nos faz menos abaláveis; perceber os frutos que brotam dessa raiz e
manifestar ao mundo tais frutos, que são, na verdade, aqueles dons plantados em
cada um de nós. Assim, a alegria não estará sendo buscada fora de nós, nas
coisas que passam, mas dentro de nós, naquilo que não passa, ou seja, nas
sementes que o “Eterno” plantou.
Deste modo, muito nos
ajuda a espiritualidade, a vida de oração, a experiência constante do amor de
Deus... até descobrirmos e nos
convencermos que, de fato, quanto mais dependentes de Deus, mais livres e mais
alegres nós seremos.
Pe. Fernando José de Andrade
Coordenador do Serviço de Animação Vocacional
Arquidiocesano (SAV)
Reitor do
Seminário Propedêutico São Pio X
Vigário
na Quase-Paróquia Nossa Senhora do Carmo
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