segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

FALANDO SOBRE A ALEGRIA ...

                   A alegria sempre foi e sempre será um tema abordado por nós seres humanos quando nos referirmos à nossa realização, à nossa felicidade. No entanto, em muitos aspectos nos esquecemos do que nos ensina o filósofo Maurice Blondel - “o ser humano é um mistério em movimento”. E, de fato, o somos, estamos inseridos na realidade complexa dos três grandes mistérios da nossa fé – o mistério da Santíssima Trindade, o mistério da Encarnação do Verbo e o mistério da Santificação dos homens. Sendo assim, tudo também que se refere às questões interiores de nós seres humanos, não pode estar fora de uma dimensão de mistério. Falar superficialmente acerca do ser humano ou considerá-lo de forma supérflua é, na verdade, desvalorizá-lo naquilo que ele é.
            Neste sentido, falamos da alegria. Esta para além das considerações imediatas. Disso averiguamos que ela não é apenas euforia, diversão momentânea. Não é também uma satisfação impulsionada pelos breves sucessos de nossos empreendimentos na vida. Ela não pode estar contida essencialmente fora de nós, nas coisas ou nas pessoas. Não vem de fora para dentro, mas o caminho é inverso, é de dentro para fora.
            A alegria é de radical sobrenatural, espiritual. E isto podemos verificar nas Palavras Reveladas: “(...) Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5). “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6, 33); “Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha” (Mt 7,24).
            Nisto consiste a nossa alegria: conhecer Jesus Cristo, descobrir n’Ele nossa raiz, aquilo que nos sustenta e nos faz menos abaláveis; perceber os frutos que brotam dessa raiz e manifestar ao mundo tais frutos, que são, na verdade, aqueles dons plantados em cada um de nós. Assim, a alegria não estará sendo buscada fora de nós, nas coisas que passam, mas dentro de nós, naquilo que não passa, ou seja, nas sementes que o “Eterno” plantou.
            Deste modo, muito nos ajuda a espiritualidade, a vida de oração, a experiência constante do amor de Deus... até  descobrirmos e nos convencermos que, de fato, quanto mais dependentes de Deus, mais livres e mais alegres nós seremos.
           

Pe. Fernando José de Andrade
Coordenador  do Serviço de Animação Vocacional Arquidiocesano (SAV)
Reitor do Seminário Propedêutico São Pio X
Vigário na Quase-Paróquia Nossa Senhora do Carmo

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