quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sobre o Discernimento...


        Neste nosso século XXI, percebemos quão rápidas vão as transformações do mundo e no mundo. O processo de mudança se encontra acelerado e, dentro deste, há o surgimento de novas descobertas que trazem benefícios, são aquelas que cooperam com a evolução da humanidade na conservação da vida. No entanto, não podemos negar que, por outro lado, há também a chegada de muitas novidades que trazem malefícios para o meio social e a vida como um todo.
        Neste contexto, aparecem variadas propostas que vêm influenciar o nosso pensamento e o nosso comportamento. As informações chegam a nós em grande quantidade num curto espaço de tempo, o que exige de nossa parte uma rápida adesão ou exclusão, muitas vezes sem a reflexão necessária. O que pode nos levar a uma tomada de decisão precipitada e errônea.
        Os meios de comunicação social muito têm contribuído para a formação de opinião, para a conscientização da nossa sociedade, oferecendo um auxílio na construção dos valores, no entanto, tais auxílios, em certas situações, acabam sendo tendenciosos, com o objetivo de favorecer uma minoria com suas ambições mais diversificadas.
        Existem verdades infindáveis, de forte influência, que têm roubado de muitos de nós o poder da decisão refletida, contribuindo com o surgimento de jovens e adultos sem identidade e sem autonomia. Estes, abandonando suas raízes, são levados a viverem de forma tristemente superficial – pensando como todo mundo pensa, fazendo o que todo mundo faz; correndo, sem saber atrás do quê... fingindo ser feliz. É um agravante do que podemos chamar de processo de massificação do nosso povo.
        Em meio a esta realidade tão presente em nossos dias, nós, seres humanos, sempre estaremos diante de situações nas quais precisaremos optar, escolher, decidir – isto é, discernir. O discernimento, do latim discernere (que remonta ao grego krínein), significa “diferenciar”, “decidir”, “criticar”, “avaliar”, “julgar”, “separar”, “apreciar”, “medir”, “reconhecer”, “distinguir” uma coisa de outra, assinalando a diferença existente entre elas. Este procedimento não significa excluir de primeira mão o que a nós se apresenta, mas sim consiste em conhecer distintamente na comparação, observando com atenção e clareza a verdade complexa que se esconde por trás de cada oferta.
        Para que haja um discernimento profícuo de nossa parte, sempre é bom que tenhamos um conhecimento mais aprofundado de cada oferta que chega a nós no cotidiano de nossa vida. Observar sua verdade, suas características, seus efeitos sobre nossa vida, detectando se farão bem a nós ou não, se nos levarão à realização, se nos levarão a Deus. Geralmente, as coisas são boas para nós quando vão ao encontro daquilo que nós somos.
        A realidade vocacional não está fora deste quadro. A resposta ao chamado que Deus faz a cada um de nós requer discernimento. Vamos responder bem a Ele se bem O ouvirmos. Vamos serví-Lo melhor se bem compreendermos o que Ele quer de nós. Vamos produzir mais frutos se bem discernirmos onde Ele anseia fincar nossas raízes.
        O que há de melhor para nós, Deus conhece, Ele cuidadosamente preparou, por isso, é Ele quem pode nos ajudar a discernir, a optar pela verdade que vai ao encontro da nossa verdade mais íntima. A espiritualidade faz-se necessária: vamos ser uma presença mais realizada e significativa no meio do povo se buscarmos a oração. O processo de discernimento na vida de cada ser humano deve ser regado de muitos momentos de intimidade com o Criador, afinal, uma escolha refletida à luz do Espírito Santo, em Cristo, é mais frutuosa e promissora, é mais acertada.
     
  
      Pe. Fernando José de Andrade
Coordenador  do Serviço de Animação Vocacional Arquidiocesano (SAV)
Reitor do Seminário Propedêutico São Pio X
Vigário na Quase-Paróquia Nossa Senhora do Carmo

Nenhum comentário:

Postar um comentário