Neste nosso século XXI, percebemos quão rápidas vão
as transformações do mundo e no mundo. O processo de mudança se encontra
acelerado e, dentro deste, há o surgimento de novas descobertas que trazem
benefícios, são aquelas que cooperam com a evolução da humanidade na
conservação da vida. No entanto, não podemos negar que, por outro lado, há
também a chegada de muitas novidades que trazem malefícios para o meio social e
a vida como um todo.
Neste contexto, aparecem variadas propostas que vêm
influenciar o nosso pensamento e o nosso comportamento. As informações chegam a
nós em grande quantidade num curto espaço de tempo, o que exige de nossa parte
uma rápida adesão ou exclusão, muitas vezes sem a reflexão necessária. O que
pode nos levar a uma tomada de decisão precipitada e errônea.
Os meios de comunicação social muito têm contribuído
para a formação de opinião, para a conscientização da nossa sociedade,
oferecendo um auxílio na construção dos valores, no entanto, tais auxílios, em
certas situações, acabam sendo tendenciosos, com o objetivo de favorecer uma
minoria com suas ambições mais diversificadas.
Existem verdades infindáveis, de forte influência,
que têm roubado de muitos de nós o poder da decisão refletida, contribuindo com
o surgimento de jovens e adultos sem identidade e sem autonomia. Estes,
abandonando suas raízes, são levados a viverem de forma tristemente superficial
– pensando como todo mundo pensa, fazendo o que todo mundo faz; correndo, sem
saber atrás do quê... fingindo ser feliz. É um agravante do que podemos chamar
de processo de massificação do nosso povo.
Em meio a esta realidade tão presente em nossos
dias, nós, seres humanos, sempre estaremos diante de situações nas quais
precisaremos optar, escolher, decidir – isto é, discernir. O discernimento, do
latim discernere (que remonta ao grego krínein), significa “diferenciar”,
“decidir”, “criticar”,
“avaliar”, “julgar”, “separar”, “apreciar”, “medir”, “reconhecer”, “distinguir”
uma coisa de outra, assinalando a diferença existente entre elas. Este
procedimento não significa excluir de primeira mão o que a nós se apresenta,
mas sim consiste em conhecer distintamente na comparação, observando com
atenção e clareza a verdade complexa que se esconde por trás de cada oferta.
Para que haja um discernimento profícuo de nossa
parte, sempre é bom que tenhamos um conhecimento mais aprofundado de cada
oferta que chega a nós no cotidiano de nossa vida. Observar sua verdade, suas
características, seus efeitos sobre nossa vida, detectando se farão bem a nós
ou não, se nos levarão à realização, se nos levarão a Deus. Geralmente, as
coisas são boas para nós quando vão ao encontro daquilo que nós somos.
O que há de melhor para nós, Deus conhece, Ele
cuidadosamente preparou, por isso, é Ele quem pode nos ajudar a discernir, a
optar pela verdade que vai ao encontro da nossa verdade mais íntima. A
espiritualidade faz-se necessária: vamos ser uma presença mais realizada e significativa
no meio do povo se buscarmos a oração. O processo de discernimento na vida de
cada ser humano deve ser regado de muitos momentos de intimidade com o Criador,
afinal, uma escolha refletida à luz do Espírito Santo, em Cristo, é mais
frutuosa e promissora, é mais acertada.
Pe.
Fernando José de Andrade
Coordenador do Serviço de Animação Vocacional
Arquidiocesano (SAV)
Reitor do
Seminário Propedêutico São Pio X
Vigário na
Quase-Paróquia Nossa Senhora do Carmo
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