Jesus vem nos ensinar que para Deus é fundamental olharmos
com o coração.
O
Messias podia ter nascido no mais alto trono de sua época, afinal estamos
falando do “Cristo, o filho de Deus Vivo” (Mt 16,16). Mais provável ainda que
Jesus tivesse vindo como um rei de Israel, como Saul, Davi ou Salomão. Talvez pudesse
ser um Sumo Sacerdote, ou pertencer a qualquer outro cargo de alto escalão da
sua época. Porém não foi isso que aconteceu. Deus reverteu tudo. Jesus foi um
pequenino. Nasceu numa manjedoura, era filho de um carpinteiro, sua mãe e seu
pai (adotivo) tiveram que se mudar às pressas quando Ele era bebê para que não
o matassem. Sendo assim, o que Deus quer com este paradoxo? Ele quer que
enxerguemos com o coração, ou seja, enxerguemos além das aparências. A
coroa de Cristo não está em sua cabeça, em suas vestes ou em grandes posses de
terras. Sua coroa está no coração.
Se pensarmos bem, o olhar dos judeus, a
princípio, não é muito diferente daquele que teríamos nos nossos dias. Foi
prometido um Messias que libertaria o povo de Israel e que instauraria a glória
de Deus na terra. Quem de nós esperaríamos um pobre, filho de um carpinteiro
que nasceu numa cidadezinha desvalorizada, afinal “de Nazaré pode sair algo de
bom?” (Jo 1, 46). Porém, quando Jesus demonstra o seu amor, ou seja, quando Ele
demonstra sua coroa, é digno de reconhecimento. Se pararmos para observar, os
milagres de Jesus são atitudes que libertam: cura leprosos (excluídos da
sociedade), expulsa demônios de pessoas que eram tidas como loucas, ultrapassa
a divisão política entre judeus e samaritanos, perdoa uma prostituta e chama
para ser um de seus seguidores um cobrador de impostos. Em todos esses
exemplos, Ele demonstra que o Amor é mais valioso que qualquer outra
riqueza. Essa riqueza foi incompreendida pelos fariseus. E se fosse
hoje, agiríamos diferente? O erro dos fariseus é, em sua essência, o mesmo que
cometemos, um apego excessivo ao sentido visual e material. Discriminamos as
pessoas pelas suas posses, ficamos impressionados com a capacidade de compra dos
ricos, pelo que vestem, seus carros, sapatos e acessórios da moda, grau de
estudo que é titulado (mestre, doutor, Phd), etc.
O objetivo aqui também não é discriminar
os ricos, pois Jesus não fez isso. Observemos a diferença de duas figuras
presentes no Evangelho. O jovem rico (Mt 19, 16-22) não teve coragem de
abandonar suas posses, suas idéias preconcebidas diante do chamado de Cristo.
Ele era uma pessoa boa, seguia os mandamentos, mas diante da proposta feita por
Jesus após o seu encontro não teve coragem de confiar à vida a Deus. Já Mateus,
o cobrador de impostos mudou seus paradigmas e seguiu o Mestre. E ao visitar a
casa de Mateus, Jesus sentou-se com os publicanos e pecadores (Mt 9, 9-10).
Isso foi motivo de escândalo para os fariseus.
Percebemos então que Deus não nos acusa pela
situação em que vivemos antes do nosso encontro pessoal. Ele olha a minha
coragem de mudar, minha perseverança na conversão, a partir do nosso encontro. O
encontro com Jesus, assim como na história, marca nossa vida num Antes e Depois
de Cristo (a.C. / d.C.). A partir daí sou convidado a olhar com o
coração, ou seja, a capacidade que tenho em amar a Deus e ao próximo antes de
julgá-lo. Como bem disse Madre Teresa de Calcutá “Quem julga as pessoas não tem
tempo para amá-las”. Nesse sentido cabe falarmos sobre um outro tipo de
julgamento que fazemos: muitas vezes não nos aproximamos de Cristo
por aversão às pessoas que estão na Igreja (padres, grupos, pessoas que estão à
frente). Concordo que esperamos dessas pessoas um testemunho de santidade
e acolhimento e nem sempre é o que encontramos. Porém isso não pode impedir que
eu atenda ao chamado de estar diante do amor ardente que brota do coração de
Deus, amor que faz a cada um de nós um chamado íntimo. Ou seja, estamos falando
de algo muito maior que um mero relacionamento entre pessoas. Falamos
em aderir ao projeto de um Deus que é amor e que a todo momento dirige a você
dizendo: “Eu te amo!”. Seja pela natureza, pelas circunstâncias do
dia-a-dia, Deus te acompanha e te conforta a todo instante. Não permita que algo superficial o
impeça de “mergulhar nas profundezas do Espírito de Deus”. Os fariseus erraram quando
se detiveram no simples fato de Jesus sentar entre os pecadores. Ao invés de
darem o próximo passo e contemplarem a mais bela coroa que um rei pode ter, a
coroa de um Sagrado Coração, optaram por blasfemar e condenar a atitude do
Messias. Por conseqüência não repousaram seu coração. Pois como disse Santo
Agostinho “Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração, enquanto não
repousa em Ti”.
Somos chamados por São Paulo a sermos
imitadores de Cristo (Ef 5, 1). É lógico que a nossa mudança, por mais
radical que seja, não é instantânea, pois o instantâneo é rápido e passageiro.
Pelo contrário, muitas vezes demoramos mais do que gostaríamos para tornarmos
semelhantes a Cristo. Mas é necessário darmos o primeiro passo e
acreditar na intervenção de Deus em nós. Pois é por Cristo, com Cristo
e em Cristo que somos chamados e capacitados a imitá-lo.
Que
Deus nos conceda esse dom precioso de olharmos a vida e ao próximo com os olhos
do coração!
por Eliel Lemos Cardoso
Grupo de Jovens DDD

Muito boa sua reflexão Eliel. Que Deus abençoe e te dê muita força na caminhada para a santidade.
ResponderExcluirVemos aqui a grande misericórdia de Deus! Ele veio para os “piores”; nasceu e cresceu num meio humilde e conviveu com tudo aquilo que hoje nos faz aproximar-se Dele. Porque Deus é Amor. Ele nos fez ver que através da dor nasce o Amor. "É preciso enxergar com o coração"! Deus é perfeito, e na sua perfeição nos criou, e se somos imagem e semelhança Dele, logo somos perfeitos também. O que temos não são imperfeições e sim limitações que acabamos por adquirir devido às influências que o mundo nos oferece a todo o momento! Influências que às vezes somos “obrigados a aceitar” por questões de sobrevivência, pois vêm de um sistema criado pelo homem. Mas, temos a liberdade de mudar! E Ele quer que mudemos, que nos encontremos com Ele e assim aprender a enxergar com o coração. Primeiro é preciso amar a Deus para só então depois amarmos os irmãos, porque se dissermos que amamos a Deus e não amamos o irmão, estaremos mentindo. Se somos capazes de julgar a Deus, imaginem então o que faremos com uma pessoa? Às vezes apontamos os defeitos dos outros como forma de esconder os nossos; diminuir a nossa culpa. É fácil ver os erros dos outros, difícil é admitir os nossos defeitos. Portanto, é preciso “olhar a vida e ao próximo com os olhos do coração”!
Abraço!